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		<title>Modern Life IS Rubbish</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 02:44:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O britpop não chegou a ter no Brasil o mesmo impacto que teve o grunge na década de 90. É verdade que olhando hoje os adolescentes que passeiam pela Paulista, muito mais próximos esteticamente de Camdem Town que de Seattle, fica difícil acreditar nessa afirmação.  Mas o que tivemos por aqui na época foram apenas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=211&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O britpop não chegou a ter no Brasil o mesmo impacto que teve o grunge na década de 90. É verdade que olhando hoje os adolescentes que passeiam pela Paulista, muito mais próximos esteticamente de Camdem Town que de Seattle, fica difícil acreditar nessa afirmação.  Mas o que tivemos por aqui na época foram apenas ecos do “movimento que sacudiu o Reino Unido”. No verão de 95, auge da brit mania na Inglaterra e da disputa Oasis x Blur, bandas como Elastica, Supergrass e Pulp estavam ao alcance de apenas uns poucos adolescentes de classe média que ouviam rádios alternativas e MTV. Por isso, <em>Modern Life is Rubbish</em>, segundo e mais obscuro disco do Blur, nem sequer foi lançado por aqui. Bastante diferente do seu álbum de estréia, o pop <em>Leisure</em>, de 1991, esse disco aponta a direções totalmente diferentes das de seu predecessor. Com MLIR a banda inicia uma trilogia cuja marca principal é o seu caráter profundamente inglês. O seguinte disco dessa trilogia é o super aclamado <em>Parklife</em>, marco do britpop nos anos 90, e o terceiro é <em>The Great Escape</em>, trabalho que transformou a banda em um sucesso de vendas. O primeiro disco, no entanto, está em uma espécie de limbo: não chegou a ser nem um grande sucesso de critica e nem muito menos de público, apesar de ter lançado as bases para os êxitos que vieram a seguir. Dos três discos, MLIR é sem dúvida o patinho feio, subestimado pelo público e pelos jornalistas. Lamento discordar de ambas as partes. Como acontece em quase todas as trilogias, creio que aqui também a primeira parte é a melhor.</p>
<div id="attachment_212" class="wp-caption aligncenter" style="width: 270px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2010/01/emo_esponja.jpg"><img class="size-full wp-image-212" title="emo_esponja" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2010/01/emo_esponja.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Até o bob esponja agora é britpop (a.k.a emo)</p></div>
<p>MLIR tem duas versões principais, uma inglesa e outra americana, além de outra japonesa, menos cotada. Isso por si só não seria digno de nota, já que 90% dos discos da época saiam com versões diferentes para os grandes mercados musicais, se não fosse pelo fato de a diferença entre as duas versões ser o single <em>Popscene</em>, uma das melhores musicas dos anos 90. <em>Popscene</em> é punk rock na pegada, mas tem também uma sessão de metais que poderia tranquilamente estar em um disco de Ray Coniff. Alguns anos mais tarde a banda voltaria a fazer uma incursão pelo gênero, criando o seu maior sucesso comercial nos EUA, <em>Song 2</em>. Mas <em>Popscene</em> é uma canção muito mais consistente que sua irmã mais bem sucedida. Ela é a musica mais representativa de MLIR, um disco que fundalmentalmente propõem uma critica a sociedade de consumo e a indústria midiática. Os excessos da publicidade (<em>Advert</em>), os absurdos do star system e a conseqüente alienação das pessoas, confinadas em suas casas de subúrbio, assistindo TV e engordando, são os temas do album. As outras duas canções exclusivas da versão americana são <em>Peach</em> e <em>When the Cows Come Home</em>, musicas que ficavam escondidas depois do fim do CD e na verdade parecem mais sobras de estúdio (e são mais fracas que outro lados b da época, como <em>My Ark</em> ou <em>Hanging Over</em>).</p>
<p>O fato de ter no seu tracklist algumas canções fracas na verdade não é um empecilho. MLIR não se destaca pela força individual de suas canções. Há sim uma força de conjunto, que se nota na maneira como as musicas vão se sucedendo ao longo do disco. Musicalmente a banda deixa para trás a sonoridade <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Baggy" target="_blank">baggy</a></em> dos tempos de <em>Leisure</em> e propõem uma formula particular, que marcaria também os dois trabalhos seguintes. Trata-se de uma combinação do clássico guitarra-baixo-bateria com coros, instrumentos de sopro e melodias inglesas populares (como em <em>Daisy Bell, </em>outro bom lado b). Com MLIR, a apropriação por parte dos ingleses do rock norte americano atinge seu ponto mais agudo, completando o trabalho começado pelos Beatles, Kinks e the Jam. Quando soam os primeiros acordes de <em>For Tomorrow</em>, a primeira faixa, a impressão que se tem é que está subindo a cortina e vai começar o espetáculo, justo na hora do chá das cinco. Há um ruído de fundo que vai crescendo até que entra a guitarra e estabiliza a musica. Somos então apresentados ao personagem principal da obra, o eu lírico de MLIR. Se trata de uma pessoa comum (<em>he`s a twentieth century boy</em>), um típico habitante de uma metrópole ocidental, tentando sobreviver em meio a falta de sentido da vida moderna. Ele/a vive com alguém, não é exatamente feliz, mas tambem não tem muitas escolhas, e a única coisa que pode fazer é seguir em frente e fazer compras com sua mulher no Tesco mais próximo de casa. Modern life is Rubbish, sem duvida.</p>
<div id="attachment_213" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2010/01/abf00d778ad6d03fcb626ef72a5ee22c.jpg"><img class="size-full wp-image-213" title="abf00d778ad6d03fcb626ef72a5ee22c" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2010/01/abf00d778ad6d03fcb626ef72a5ee22c.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">E lá vem o trem da modernidade...</p></div>
<p> Ainda um pouco lesados pelos efeitos da balada, levamos um verdadeiro chacoalhão quando entra a segunda musica. Advert é outro punkzinho esquisito a la blur, que começa com uma narração publicitária. A musica é um hino anti propaganda (<em>advertisement are here for rapid persuasion, but if you stare too long you lose you apetite</em>), e satiriza aquilo que o típico burguês inglês, o personagem de outra canção, <em>Colin Zeal</em>, está acostumado a ouvir . Este sujeito sempre pontual, que se veste impecavelmente e tem um bronzeado artificial é sem duvida um personagem kinkiano, e a canção é quase um tributo ao clássico <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=TQAR-nx4w88" target="_blank">Dedicated Follower of Fashion</a>,</em> ainda que sem o mesmo brilho. Assim como <em>Presure on Julian</em> e <em>Starshaped</em>, são músicas que poderiam ter ficado de fora da edição final do disco, já que, como disse antes, alguns dos lados b de singles do MLIR são dos melhores trabalhos da banda. É só com <em>Blue Jeans,</em> a sexta faixa, que o disco tem seu ponto alto. <em>Blue Jeans</em> é a melhor balada de MLIR e provavelmente da carreira da banda. É densa e sombria, profundamente triste, com uma bateria pulsante que lembra muito a batida de <em>Just Like Honey, </em>do Jesus and Mary Chain. É outra historia sobre relacionamentos, mas também pode ser entendida como uma metáfora sobre nossa capacidade de nos acomodar e pretender que as coisas não mudem nunca (<em>i dont really want to change a thing, i wanna stay this way forever</em>), mesmo que isso signifique uma existência eternamente medíocre.</p>
<p>Talvez a melhor maneira de entender MLIR não esteja em uma leitura das letras que vem com o luxuoso encarte do disco, ou em uma analise faixa a faixa do álbum. O que realmente marca o ouvinte são as atmosferas das canções, sua profunda melancolia, mesmo quando as musicas são fáceis e assobiáveis, como em <em>Villa Rosie</em>. MLIR não é um disco politizado, no sentido em que eram os clássicos dos anos 60, mas talvez seja o mais próximo disso que a geração anos 90 pode chegar. MLIR é um pequeno manifesto contra a corporativizacao da vida publica e, principalmente, da vida privada, iniciada pelo reaganismo nos anos 80. É um disco que fala a classe media assalariada, aquela que não tem grandes problemas econômicos, mas que surta quando ouve a musica do <em>Fantástico</em> no domingo a noite. É um disco de protesto feito por aqueles que teoricamente (desde um ponto de vista do terceiro mundo, claro) não tem do que reclamar. É sobre essa gente medíocre que vive nos subúrbios ingleses, uma gente que começa a perceber que talvez o consumo não seja a resposta para todos os seus problemas. <em>Chemical Word</em> é o mundo em que vivemos, um mundo em que nossas existências sem sentido são compensadas por uma barra de chocolate, uma xícara de chá ou quem sabe por um prozac. <em>From Sunday to Sunday</em>. É daí que vem a intensa necessidade de escapar, tema que seria melhor desenvolvido pela banda em <em>The Great</em><em> Escape</em>, o ultimo disco da trilogia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/211/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=211&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Oremos, o fim está próximo!</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 15:34:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Creio que todo ser humano tem, ou deveria ter, consciência de que a vida é cíclica. A observação da natureza nos ensina que todos os seres vivos nascem, se desenvolvem e morrem. Por isso para nós é totalmente anti natural a idéia de que algo que tenha um começo não tenha um final. Partindo dessa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=168&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Creio que todo ser humano tem, ou deveria ter, consciência de que a vida é cíclica. A observação da natureza nos ensina que todos os seres vivos nascem, se desenvolvem e morrem. Por isso para nós é totalmente anti natural a idéia de que algo que tenha um começo não tenha um final. Partindo dessa concepção, não é difícil imaginar como nossos ancestrais extenderam a idéia da finitude da vida ao próprio planeta e ao universo como um todo. O fim dos tempos é uma narrativa que se encontra presente nas mais distintas culturas humanas, independente de seu grau de desenvolvimento. Nossa cultura judaico-cristã, como não poderia deixar de ser, também produziu seu relato sobre o final de tudo. O ultimo livro da bíblia cristã, o Apocalipse, nos conta com riqueza de detalhes todas as desgraças que precederão <em>the end of the world as we know it</em>. Junto com o Genesis esse foi o único texto bíblico que li inteiro. Sim, porque tenho essa mania de ler o principio e o fim dos livros, especialmente esses que são enormes, tipo uma bíblia. Devia ter uns dez anos de idade quando li isso e lembro que fiquei bastante impressionado. Por pelo menos um mês passei a ser o aluno mais aplicado das aulas de catecismo.</p>
<p>No final da década passada, a medida que nos aproximávamos da virada do milênio, um tipo de produção que tinha sido muito popular nos anos 70, o filme catástrofe, sofreu uma transformação. Como se fosse um <em>pokemon</em> cinematográfico, o gênero que nos tinha aterrorizado com aviões descontrolados, arranha céus em chamas e transatlânticos naufragando deu um salto evolutivo e passou a retratar a catástrofe total, o fim do mundo mesmo. Os críticos pensavam que isso era apenas um reflexo das previsões milenaristas e do medo que a simbologia da mudança de milênio despertava nas pessoas, mas o novo milênio chegou e os filmes apocalípticos seguiram firmes e fortes, arrastando multidões ao cinema. Parece que a fascinação que as historias apocalípticas sempre exerceram sobre as pessoas ganhou um novo impulso com os modernos recursos técnicos e narrativos de Hollywood. Ao invés de anjos vingadores portando espadas de fogo, temos agora hordas de zumbis sanguinários invadindo shopping centers em busca de cérebros frescos. No lugar dos quatro cavaleiros do apocalipse, naves espaciais baixando a terra repletas de alienígenas belicistas, dispostos a utilizar a espécie humana como gado de corte. E tudo isso mostrado com os últimos recursos de computação gráfica, som digital <em>dolby sorround</em>  e até efeitos em 3D. Por mais impressionante que fosse o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Apocalipse" target="_blank">texto de João</a>, não há como negar que as historias de hoje tem mais apelo potencial junto ao público contemporâneo.</p>
<div id="attachment_169" class="wp-caption aligncenter" style="width: 305px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/pikachu5.jpg"><img class="size-medium wp-image-169" title="pikachu5" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/pikachu5.jpg?w=295&#038;h=300" alt="" width="295" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O que o pikachu tem a ver com isso? Nada, evidentemente!</p></div>
<p>O grande nome do novo cinema catástrofe é Roland Emmerich, diretor do filme que marcou o inicio do fenômeno, <em>Independence Day</em>, de 1996.  Apesar de sua longa carreira, que conta com mais de uma dúzia de filmes, Emmerich só conseguiu destaque de verdade fazendo filmes em que explode tudo o que vê diante da lente de sua câmera. Além do já citado <em>Independence Day</em>, Roland também foi responsável por outros <em>blockbusters</em>, como <em>Godzilla</em> e <em>O Dia Depois de Amanha</em>. O primeiro talvez não devesse ser classificado como filme apocalíptico, apesar de que uma criatura de 50 metros arrasando uma cidade não é algo muito distante daquilo que podemos encontrar no livro das revelações. Já <em>O Dia&#8230;</em> é um típico exemplar da proposta estética <em>rolandiana</em>. Aqui a catástrofe não esta mais restrita só a uma cidade ou a um país. Se trata de um desastre global de proporções bíblicas, causado não pela vingança divina mas sim pela ação do homem contra a natureza, e que não tem como ser evitada nem mesmo com a ajuda da mais moderna tecnologia disponível. Diante da inevitabilidade do fim, o único que resta aos personagens do filme é tentar acertar contas com os erros cometido no passado, o que quase sempre se traduz em grandes odisséias embaixo de tempestades ou terremotos, que concluem com chorosas reconciliações familiares.</p>
<p>A ultima realização cinematográfica de Emmerich se chama <em>2012</em>. É um filme que segue a mesma proposta de <em>O Dia&#8230;</em>, de modo que se não fosse pela obvias dificuldades impostas pela natureza do gênero, poderia até ser uma continuação daquele. O filme se baseia em uma antiga profecia Maia, segundo a qual o dia 21 de dezembro de 2012, solstício de inverno no hemisfério norte, marcaria o fim do mundo. Essa data serve como pretexto para que o diretor conte sua historia sobre um aumento da atividade solar, que lançaria sobre a terra terríveis partículas capazes de alterar a composição do núcleo da Terra e destroçar a crosta do planeta. Diante da inevitabilidade do fim, os governos dos paises ricos preparam um projeto secreto destinado a salvar uma parte da humanidade (a parte mais rica e influente, obvio). Em meio ao caos, um típico fracassado (John Cusack, fazendo o papel dele mesmo) consegue ficar sabendo dos planos do governo e corre-contra-o-tempo para-salvar-sua-família.</p>
<p>Como se pode notar pelas breves sinopses, as historias de Roland Emmerich são sobre problemas familiares e o valor do americano comum, este herói anônimo que seria capaz de mudar sua própria historia sozinho (o <em>self made man</em>). Basicamente, as mesmas historias que Hollywood vem contando a décadas. A diferença é que enquanto nos anos 70 o pano de fundo era o tribunal (como em <em>Kramer vs Kramer)</em>, agora é o próprio apocalipse que contemplamos na tela enquanto a ação se desenvolve. A questão é entender porque a catástrofe se coloca como o cenário de tantas produções do cinema recente. E isso não é só uma característica do cinema estadunidense. Produções espanholas como <em>3 dias</em> ou mesmo <em>REC</em> podem ser encaixadas dentro desse gênero. E se Roland Emmerich é o rei do cine catástrofe norte americano, não há como negar que o inglês Danny Boyle também tem um bom portfolio de produções do gênero, como <em>28 days later</em> e <em>Sunshine</em>. A diferença de qualidade no trabalho dos dois diretores não invalida o fato de que ambos trabalham com o mesmo material, o juízo final. Ao contrario, só demonstra como o tema está impregnado na sociedade em todos os níveis, independente de nacionalidades, gosto ou classe social.</p>
<div id="attachment_170" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/eng_kramer_vs__kramer.jpg"><img class="size-medium wp-image-170" title="eng_kramer_vs__kramer" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/eng_kramer_vs__kramer.jpg?w=300&#038;h=289" alt="" width="300" height="289" /></a><p class="wp-caption-text">Pensando bem, isso sim que era o fim do mundo.</p></div>
<p>O medo sempre foi um poderoso instrumento de controle social. Populações assustadas são facilmente controladas pelos donos do poder. Mas explicar todo esse <em>cultural trend</em> que se materializa nos filmes sobre o fim do mundo como uma tentativa de instaurar o pânico nas pessoas me parece um tanto simplório. Afinal, como bem explica Jesus Martin Barbero, o conceito de hegemonia de Gramsci vai mais alem da simples idéia de que as elites exerceriam o controle das massas por meio da cultura. Há uma troca cultural constante entre as classes sociais, o que ajuda a legitimar a dominação. Talvez o mais apropriado seja pensar no inconsciente coletivo, essa extensão das idéias freudianas proposta por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung" target="_blank">Jung</a>. Para alguns autores, o inconsciente coletivo seria o conjunto das necessidades e potencialidades reprimidas de toda a sociedade.O fim das utopias, ou melhor, das “meta narrativas” (como a idéia de progresso infinito representado pela civilização burguesa, o fim do socialismo como alternativa política real) conduz a um estado de incerteza e angustia coletiva. A saída para essa angustia existencial coletiva parece ser o fim de tudo, a catástrofe final que nos levaria inevitavelmente a outro começo ou recomeço. Exatamente como acontece com os ciclos da natureza.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/168/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/168/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/168/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=168&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Aqui no hay quien viva x A grande familia</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 02:22:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Nunca fui um grande fã das series de televisão estadunidenses. Alias, não gosto de seriados em geral. E não é por uma questão de possuir um pretenso gosto superior ou por ter coisas melhores para fazer na vida. Longe disso, afinal sou um noveleiro assumido. Acontece que coisas como CSI, as aventuras do Dr. House [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=160&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca fui um grande fã das series de televisão estadunidenses. Alias, não gosto de seriados em geral. E não é por uma questão de possuir um pretenso gosto superior ou por ter coisas melhores para fazer na vida. Longe disso, afinal sou um noveleiro assumido. Acontece que coisas como CSI, as aventuras do Dr. House ou mesmo Os Sopranos, serie tida por alguns como uma obra prima da televisão, me dão arrepios. Em geral não passam de novelões de má qualidade, feitos para um publico branco de classe média da costa leste dos Estados Unidos. Ainda que contem com grandes atores, já que agora é moda trabalhar em seriados na TV, essas produções pecam por um detalhe importante: elas não tem graça nenhuma. Pelo menos não para uma pessoa como eu, que não é WASP. Mas existe sim um tipo de serie que me interessa mais do que as outras. São as chamadas sitcoms ou comedias de situação. Meu primeiro contato com o gênero foi nos anos 80, através da saudosa sessão comedia da Globo, espaço no qual se revezavam as series Super Vicky, Caras e Caretas e as Supergatas, entre outras. Eram comedias ingênuas, feitas para um publico juvenil, mas que apresentavam o traço definidor das sitcoms, o humor que nasce de situações cotidianas.</p>
<div id="attachment_161" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/supervicky1.jpg"><img class="size-medium wp-image-161" title="supervicky1" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/supervicky1.jpg?w=300&#038;h=255" alt="" width="300" height="255" /></a><p class="wp-caption-text">Meu deus, eu tinha me esquecido da Harriet!</p></div>
<p>O humor é um gênero bastante peculiar. É revelador do caráter de uma sociedade, de seus valores e preconceitos. Quase sempre está repleto de referencias a tipos e fatos de um determinado país ou região. Por isso mesmo é muito difícil adaptar uma comedia, uma sitcom ou mesmo uma piada estrangeira. Não é de se estranhar o fato de as comedias televisivas estadunidenses usarem de forma tão constante a claque nas produções que exportam para outros países. As risadas que acompanham as piadas servem muitas vezes para que o espectador estrangeiro entenda o momento em que ele deve rir, ainda que a piada seja completamente incompreensível para ele. Por isso o humor físico, como aquele feito por Chaplin na época do cinema mudo, sempre foi mais universal que as comedias cerebrais de Woody Allen. Não é uma questão de qualidade, mas sim de linguagem. As tortas que Os Três Patetas ou O Gordo e o Magro atiravam uns nos outros são uma expressão infantil de humor, mas podem ser entendidas por qualquer pessoa que já comeu um bolo de aniversario na vida. Piadas sobre sessões de psicanálise, por mais inteligentes e engenhosas que sejam, tem um público muito mais restrito que as primeiras.</p>
<p>As sitcoms brasileiras, apesar de serem tecnicamente muito inferiores as produções norte americanas do gênero, atraem a atenção do público nacional por tratarem de temas de seu cotidiano. Assim, as comedias realmente populares no Brasil nunca foram Friends ou Thats 70´s show, mas sim as produções da Globo, como Sai de Baixo e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/A_Grande_Fam%C3%ADlia" target="_blank">A Grande Família</a>. Esta última, um remake de outra serie homônima dos anos 70, se mantém firme na grade de programação da emissora desde 2001, tendo ganhado uma adaptação ao cinema em 2007. A formula do seriado não tem nenhum segredo. Se trata, como qualquer um pode supor pelo titulo, de historias sobre o cotidiano de uma “típica” família do subúrbio carioca. As tramas giram em torno aos conflitos entre o pai (Marcos Nanini), um honesto funcionário publico que se esforça para manter sua mulher e os filhos com um pequeno salário, e seu genro, um taxista malandro, interpretado por Pedro Cardoso. Os desentendimentos entre esses dois personagens, que vivem juntos na mesma casa por pura falta de opção, são a base das situações cômicas da serie. Essa dualidade, tão característica do povo brasileiro, mestiço por excelência, obrigado a conviver com enormes diferenças culturais cotidianamente, é a chave da identificação do público com a obra.</p>
<p>Considerando que muito do sucesso de uma comédia depende de sua capacidade de refletir a personalidade do povo que a consome, sem dúvida uma maneira interessante de conhecer a cultura de outros países é acompanhar alguma sitcom popular. A Espanha, país em que vivo, oferece diversas opções em praticamente todos os canais de TV. Series como Aida, Família Mata ou Los Hombres de Paco são tão ou mais populares aqui do que as novelas da Globo no Brasil. Dentre tantas opções resolvi assistir uma serie que até já foi cancelada, mas que continua sendo exibida por um canal de TDT (televisão digital terrestre). É a comédia <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Aqu%C3%AD_no_hay_quien_viva_(Espa%C3%B1a)" target="_blank">Aqui no Hay Quien Viva</a>, uma produção espanhola que já foi exportada para vários países. O seriado está ambientada em um típico condomínio do centro de Madri, um pequeno edifício de 6 apartamentos onde os vizinhos vivem as turras por qualquer motivo. Não há um personagem principal claramente definido, mas sem dúvida o enrolado Sr. Cuesta, por ser o sindico do prédio, acaba participando de mais tramas do que os outros. Os outros personagens de destaque são o porteiro Emilio, espécie de braço direito e puxa saco oficial do sindico, e sua namorada ocasional, a angustiada e insegura Belén.</p>
<p>Aqui no Hay Quien Viva baseia seu humor nos tipos, nas caricaturas. Algumas vezes sao caricaturas fisicas, como é o caso do <a href="http://blog.hugomiranda.com/2009/03/videos-de-mariano-delgado-lo-mejor-de.html" target="_blank">ator que interpreta o pai do porteiro Emilio</a>, um tipo tão sui generis que parece ser o resultado de um cruzamento do falecido Costinha com o ajudante de palco Russo. Mas fundalmentalmente se joga com a representação de personagens pradigmaticos da Espanha atual. Dessa maneira temos as velhinhas viúvas, responsáveis pela rádio pátio, ou seja, pela fofoca no condomínio, as meninas guarras de vinte e poucos anos que dividem apartamento na cidade grande, os jovens recém casados e a família Cuesta, representando o lar convencional, com o pai, a mãe e o casal de filhos. Também vivem no condomínio um casal gay, que para meu espanto é representado de uma forma muito diferente daquela que estamos acostumados a ver na televisão brasileira, quase sempre carregada de estereótipos, sejam eles positivos ou negativos. Alias, essa é uma diferença importante entre o humor das series espanholas e das series brasileiras. Apesar de tambem jogar com o humor dos estereótipos, a construção dos personagens aqui não é feita de uma maneira maniqueísta, como no Brasil. Os personagens são mais complexos, o que reflete a maior abertura social que existe no país ibérico.</p>
<div id="attachment_162" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/costinha.jpg"><img class="size-medium wp-image-162" title="costinha" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/costinha.jpg?w=300&#038;h=299" alt="" width="300" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Impossivel esquecer o Costinha!</p></div>
<p>Existem <a href="http://books.google.es/books?id=s8ARc_7-NtUC&amp;dq=cultural+studies+sitcoms&amp;printsec=frontcover&amp;source=bl&amp;ots=AZkEfnHtz1&amp;sig=vnfJbkIxccJhLlcY-xw7zPvjong&amp;hl=gl&amp;ei=U_UoS8HdAZGNjAe15cWsDQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=8&amp;ved=0CDEQ6AEwBzgK#v=onepage&amp;q=cultural%20studies%20sitcoms&amp;f=false" target="_blank">estudos interessantes</a> que mostram a evolução da estrutura familiar norte americana por meio da comparação de series dos anos 60 (como a clássica Papai Sabe Tudo) com outras mais recente, como Married With Children. E as comparações feitas no eixo do tempo também podem ser feitas no plano do espaço. Por exemplo, uma analise das sitcoms brasileiras em contraste com suas congêneres espanholas revela tanto as semelhanças quanto as diferenças culturais que existem entre os dois países. O espirito improvisador, o culto ao anti heroi que é um traço marcante da identidade espanhola (um país nao pode ter a Dom Quixote como seu romance fundador impunemente) se encaixa perfeitamentecom na maneira como o brasileiro ve a si mesmo. Afinal, talvez seja a herança ibérica tao ou mais importante que a mescla entre o elemento negro e o indígena na formaçao do carater macunaimico. Já as diferenças ficam por conta do grau de penetraçao da modernidade nas duas sociedades. Enquanto no Brasil temas como o casamento homosexual e o aborto ainda sao escondidos ou tratados de uma forma caricata na TV, na espanha europeizada de hoje parecem ser coisas já assumidas como normais por boa parte da sociedade. O Brasil segue vivendo a fantasia de ser uma Grande Familia branca e de clase média, que apenas tolera os agregados. Já a Espanha parece ter se dado conta de que na pluralidade de modelos engedrada pela modernidade o diferente é também parte efetiva da sociedade, ainda que o resultado disso seja um caos semelhante ao que existe no condominio que serve de cenario para Aquí no hay Quien Viva.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/160/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/160/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/160/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=160&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pop music&#8217;s not gonna die it just has no direction&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 16:40:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Houve um tempo em que 1999 era o futuro. Um futuro distante, repleto de gelo seco e luzes de néon, aonde a festa não teria fim, como naquela musica do Prince.  Pois bem, 1999 chegou e passou rápido, quase voando. Dez anos depois, 1999 parece (e é!) o século passado. Uma época totalmente diferente do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=156&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Houve um tempo em que 1999 era o futuro. Um futuro distante, repleto de gelo seco e luzes de néon, aonde a festa não teria fim, como naquela musica do Prince.  Pois bem, 1999 chegou e passou rápido, quase voando. Dez anos depois, 1999 parece (e é!) o século passado. Uma época totalmente diferente do nosso tempo. Tomemos o exemplo da musica popular. Quando terminou o século esperávamos pelo <em>bug</em> do milênio, o colapso de todos os computadores do mundo, que levaria ao caos generalizado da sociedade. A tragédia felizmente não se concretizou, mas tenho certeza de que se alguma coisa tivesse acontecido naquela época, a trilha sonora da catástrofe incluiria algo de techno: Chemical Brothers, Prodigy ou Fat Boy Slim. Sim, porque naquela época esse era o som do futuro, o que melhor combinava com a idéia futurista de uma sociedade dependente de computadores e a beira do apocalipse. Era a direção para qual a musica popular apontava. Passados 10 anos, só houve techno quem tem mais de trinta e conserva o pique pra tomar uma <em>balinha</em> na balada. E nem mesmo esses caras que ainda ouvem techno acreditam que esse estilo ou qualquer outro serão o futuro da musica. Ninguém mais acredita no futuro da música, nem sob efeito de bala.</p>
<p>O lugar que ocupava o techno no cenário e no imaginário musical da década passada foi preenchido neste novo milênio por outro tipo de música eletrônica, o electro. Nomes como Miss Kittin, Peaches e Ladytron reinaram nas pistas de dança em meados dos anos 00. Apesar da estetica futurista que tinham em comum os dois estilos, o electro é uma música diferente, muito mais malemolente e sensual do que o techno. Mistura elementos de rock a musica eletrônica assim como o segundo, mas também incluí o funk em grandes doses. As batidas são muito menos obsessivas e suas interpretes, apesar de não serem muito convencionais, não chegam a parecer aberrações de circo como Keith Flint. Ao contrario, são mais bem gostosas freak, como a já citada Peaches. Esse apelo erótico das canções e das interpretes porem não foi suficiente pra fazer a transição do gênero do underground para o <em>mainstream</em>, ao contrario do que havia passado com o techno, que chegou a ter grande popularidade na década anterior. O electro sempre ficou restrito a pequenos círculos, as festas modernas e inferninhos descolados. Mas esse é outro ponto importante a pensar sobre a musica pop nessa década: que aconteceu com a divisão entre música independente e música comercial?</p>
<div id="attachment_157" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/keith_flint.jpg"><img class="size-medium wp-image-157" title="keith_flint" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/keith_flint.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Eu acho que o Keith é careca. De verdade.</p></div>
<p>No principio dos anos 90 existia algo chamado <em>música alternativa</em>. Inicialmente, o termo alternativo não se referia a um gênero, a um estilo de música, como o rock ou o samba, por exemplo. O som dito alternativo era basicamente rock, mas não era o rock que se ouvia nas FMs da época, repletas de  bandas como Guns and Roses ou Aerosmith. Era o <a href="http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&amp;sql=77:11971" target="_blank">rock que tocava nas <em>college radio</em></a> americanas, as estações de rádio vinculadas as universidades estadunidenses. Estas rádios, por estarem fora do famoso esquema do <em>jabá</em>, colocavam em sua programação grupos desconhecidos, bandas que atuavam no circuito universitário e não tinham ainda contrato com nenhuma grande gravadora.  Logo bandas saídas da programação das <em>college radio</em>, como Nirvana e REM, chegaram ao estrelato mundial, e o sentido do termo se distorceu. Alternativo já não significava algo em oposição a uma corrente principal (em inglês, <em>mainstream</em>), mas designava um estilo de música, baseado inicialmente em guitarras distorcidas e melodias ligeiramente diferentes daquelas com as quais as pessoas estavam acostumadas. Era a música esquisita chegando as massas, exatamente na década em que os <em>nerds</em>, representados por Bill Gates, tinham finalmente vencido.</p>
<p>Na primeira década do novo século, a musica alternativa ocupa um espaço tão grande que contradiz a própria idéia contida no seu nome. Ela representa para os adolescentes de agora o mesmo papel que o metal teve para a garotada dos anos 80: muito mais do que um estilo de música, é um modelo comportamental. E é o modelo padrão, pelo menos para a classe média globalizada. A musica alternativa, por ironia do destino, agora é <em>mainstream</em>. Os <em>indies</em>, com seus all star, óculos quadrados e jaquetas adidas, se espalharam pelas grandes urbes do mundo, e ninguém pode negar que os Strokes foram a banda mais importante dessa nova década, apesar de não terem vendido em toda sua carreira nem 10 % do que vendeu o Metálica com um só disco. The Killers, que arrastou multidões nos seus diversos shows em São Paulo, se considera uma banda <em>indie</em>. E o Coldplay, o sub Oasis do novo milênio, admite que suas influencias são Blur e Radiohead. Mas apesar disso ninguém se atreveria a dizer que essas duas bandas são alternativas, não pelo menos da mesma maneira que o Nirvana era alternativo nos anos 90. Elas são <em>indie</em> porque bebem daquela estética, nunca por uma postura de oposição ao que é comercial.</p>
<p>Dentro desse panorama, está claro que não faz nenhum sentido continuar a falar desse conflito <em>maisntream</em> x alternativo. Até porque é difícil dizer quem é <em>indie</em> e quem não é entre Lady Gaga, Lilly Allen, Amy Winehouse  e Katy Perry. Na cena musical dos anos 00 todos foram pop com sabor <em>indie</em>. Foi tudo misturado, como já prometiam os movimentos de fusão musical dos anos 90. Ocorreu um descentramento mercadológico, cultural e geográfico, e foi por isso que bandas saíram do Brasil e viraram capa da NME, como <a href="http://mtv.uol.com.br/noticias/adriano-cintra-do-css-fala-sobre-novo-disco-ass%C3%A9dio-hype-nme-e-muito-mais-leia-entrevista" target="_blank">aconteceu com o CSS.</a> Outras bandas “estrangeiras” como Buraka Som Sistema e Gogol Bordelo também ganharam destaque nos grandes centros.  Já não eram mais os grandes nomes americanos e ingleses que saiam do primeiro mundo para buscar novos sons na periferia, eram os artistas destes países que, vivendo a cultura mundializada de que nos fala Renato Ortiz, regurgitavam a musica resultante desse contato diretamente nos países centrais. Bob Marley era um cantor jamaicano que fazia um som tipicamente jamaicano para consumo no exterior. Era uma exceção a regra. M.I.A é uma cantora de origem indiana que vive em Londres e canta reggae com pitadas de funk carioca. M.I.A hoje é a regra. O centro já não tem o controle que tinha no passado, e o cenário musical de hoje mais se parece a um monte de cogumelos brotando no bosque do que a uma organizada plantação de morangos controlada pela Warner Music.</p>
<div id="attachment_158" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/plantacao.jpg"><img class="size-medium wp-image-158" title="plantacao" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/12/plantacao.jpg?w=300&#038;h=209" alt="" width="300" height="209" /></a><p class="wp-caption-text">controlada pela warner! You bastards!</p></div>
<p>Na primeira década do século XXI a música popular sofreu transformações profundas. Já não é possível distinguir um gênero musical predominante, ou mesmo um gênero em crescimento, dentro do panorama musical mundial. Essa mudança se deve as transformações ocorridas no mercado musical. Com o surgimento dos programas P2P, a distribuição e comercialização da musica não depende mais das grandes gravadoras. Sites como Myspace abriram caminho para que artistas sem contrato se tornassem populares antes mesmo de terem gravado seu primeiro disco, como aconteceu com os Artic Monkeys e com Lilly Allen. A circulação internacional de informação na rede possibilitou que artistas de fora dos países centrais chegassem ao grande público internacional cantando em sua língua nativa, como fizeram os curitibanos do Bonde do Role. Em resumo, houve uma ampliação da oferta de gêneros musicais e artistas, que puderam aparecer graças aos novos canais de divulgação e distribuição musical. Essa pluralidade fez com que já não houvesse mais um gênero ou artista em destaque, como acontecia antes, quando a musica era controlada por cinco gravadoras multi nacionais. Esse cenário é análogo aquele das rádios universitárias <em>yankes</em> nos anos 80 e 90. Só que agora o fenômeno saiu do gueto e ocorre em escala planetária. Por isso, hoje a cultura musical padrão é a alternativa ou <em>indie</em>. Por mais irônico que isso possa soar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/156/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/156/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/156/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=156&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O show do imigrante</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 13:26:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As vezes quando vemos aquele aparelho ali no meio da sala temos a impressão de que ele é quase como um outro membro da família. A televisão não é como os outros eletrodomésticos ou moveis que temos em casa. Mais parece um amigo, porque diferente da batedeira ou do liquidificador, a televisão conversa com a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=152&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As vezes quando vemos aquele aparelho ali no meio da sala temos a impressão de que ele é quase como um outro membro da família. A televisão não é como os outros eletrodomésticos ou moveis que temos em casa. Mais parece um amigo, porque diferente da batedeira ou do liquidificador, a televisão <em>conversa</em> com a gente. Quer dizer, parafraseando aquele programa da Record, ela fala, e nós escutamos. E a televisão fala muito, o tempo todo. A televisão começa a se tornar um meio de comunicação realmente popular nos EUA do pós guerra. Já haviam aparelhos de televisão sendo comercializados desde os anos 30, mas sua importância ainda era relativamente pequena quando comparada ao rádio, por exemplo. A partir dos anos 50 a televisão se espalha pelo mundo, tornando-se o veiculo de comunicação de massa mais influente já em meados dos anos 60. Apesar do protagonismo que tem desde aquela época, a televisão demorou muitos anos para desenvolver uma linguagem própria. Os primeiros programas eram claras adaptações de formatos consagrados pelo rádio. As novelas, o tele jornais, os programas de auditório, todos eles já eram populares nas rádios do mundo todo nos anos 30. A televisão como veículo consagrava a máxima de <a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/09/trivial-de-chacrinha/" target="_blank">Chacrinha</a>: nela nada se cria, tudo se copia.</p>
<p>Nos anos 80 o videoclipe musical se moderniza e se massifica graças ao surgimento da MTV nos EUA, e pode-se dizer que se torna o primeiro formato realmente nativo da televisão. O videoclipe é um passo adiante em relação à velha formula radiofônica das paradas de sucesso, porque adiciona imagens a música que no rádio só se pode ouvir. Parece pouco, mas foi o que de mais original a televisão conseguiu produzir em mais de 30 anos de existência comercial. O videoclipe causou um certo impacto social quando surgiu, já que se temia que sua popularização poderia transformar totalmente o mercado musical ( como pregava o hit oitentista <em>Vídeo Killed the Radio Star</em>). O videoclipe realmente influenciou diversas linguagens nos anos 80 e sua influencia se fez sentir na publicidade e no cinema, por exemplo. Entretanto o rádio continuou sendo o principal espaço de difusão musical, talvez porque a penetração da MTV sempre foi limitada, ficando mais restrita ao publico jovem. Mas curiosamente foi a MTV quem projetou nos anos 90 o formato <em>reality show</em>, um tipo de programa onde supostamente não existem roteiros nem personagens fictícios. Os <em>reality shows</em> são o primeiro formato nativo da televisão a alcançar grande sucesso, atingindo milhões de espectadores em diferentes países.</p>
<p>Os primeiros programas da MTV ajudaram a consolidar o formato, mas sua massificação vem mesmo com o extraordinário sucesso do <em>Big Brother</em>. A produção original holandesa ganhou versões em vários países, tornando-se quase sinônimo de <em>reality show</em> no mundo todo. Tanto é assim que passa quase despercebido a quantidade de programas desse gênero que existem atualmente, apenas porque eles não são o <em>Big Brother</em> ou cópias idênticas. O formato dá margens a muitas interpretações, que geralmente são híbridos de programas tradicionais com a formula mágica do <em>reality</em>. Aqui na Espanha, por exemplo, o formato ganhou um subgênero que vem se alastrando mais rápido do que catapora no jardim da infância. São programas sobre pessoas “normais” que vivem em outros paises, uma mistura de reportagem com <em>reality show</em>. O pioneiro foi <em>Madrileños por el Mundo</em>, da Tele Madrid, emissora publica da capital espanhola. Logo vieram outros programas como o clone <em>Españoles por el Mundo</em>, da Television Española, e em poucos meses quase todas as televisões daqui tinham algum programa que utilizava a formula <em>Athayde Patreze Visita</em> + agencia de viagem, com diferentes graus de acerto em cada um deles.</p>
<div id="attachment_153" class="wp-caption aligncenter" style="width: 301px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/patreze.jpg"><img class="size-medium wp-image-153" title="patreze" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/patreze.jpg?w=291&#038;h=300" alt="" width="291" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O saudoso Athayde e seu instrumento de trabalho, o inesquecivel microfone dourado.</p></div>
<p>O original, porém, continua sendo o melhor. Não sei se pela edição, mais dinâmica que a dos concorrentes, ou se pelo simples fato de já estarmos acostumados a ele, a verdade é que o programa semanal da Tele Madrid <em>engancha</em> muito mais que seus competidores <em>genéricos</em>. A cada edição conhecemos um pouco do cotidiano de algum cidadão de Madri expatriado (detalhe: as pessoas que não são de Madri são simplesmente ignoradas pelo repórter, ainda que sejam espanhóis!) O roteiro é invariavelmente o mesmo: o repórter encontra o entrevistado “casualmente” na rua, seguem as apresentações, os dois beijinhos e a clássica pergunta: “¿<em>Eres de Madrid de donde</em>?” As conversas iniciais geralmente são sobre os motivos que levaram o cidadão a deixar sua cidade para viver no exterior. Logo vem as curiosidades geradas pelo contraste entre a cultura local e os hábitos do estrangeiro, suas dificuldades e descobertas na nova cidade. A saudade quase sempre se manifesta, no caso dos hipócritas, na ausência da família e dos amigos. Os mais sinceros já admitem abertamente que o que realmente sentem falta é de poder comer um bom <em>jamon</em> e sair de <em>cañas</em> pela noite de Madri. No final, a repórter se despede com a outra pergunta clássica do programa: “¿<em>Piensas volver a madrid</em>?”</p>
<p>Sociologicamente falando, podemos dizer que existem duas <em>classes </em>em <em>Madrileños por el Mundo</em>: aquela formada pelas pessoas “normais”, que quase sempre trabalham como professores, de espanhol ou de algo típico de sua cultura (dança flamenca, culinária), e os milionários. Essa segunda classe geralmente está presente em países do terceiro mundo, como novos senhores de engenho, vivendo como reis em meio à pobreza ao seu redor. São empregados de multi nacionais, gerentes de hotéis ou empresários com interesses diversos no país. As diferenças entre os dois grupos são importantes e chamativas. Os primeiros estão no outro país geralmente por algum motivo sentimental, como uma namorada, um marido, ou por alguma razão ideológica, como voluntários de uma ONG, por exemplo. Seu envolvimento com a cultura local é grande, mesmo quando vivem em países muito “diferentes” (leia-se pobres). Já o segundo grupo vive em outro país, mas seus contatos com a população local são limitados. Em geral trazem sua família da Espanha, e suas amizades na cidade de adoção se limitam a um circulo de outros expatriados espanhóis como eles. A não ser é claro nos casos em que vivem em países mais “desenvolvidos” que o seu próprio. Nesse caso, costumam se integrar melhor com os nativos.</p>
<div id="attachment_154" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/chorizo.jpg"><img class="size-full wp-image-154" title="chorizo" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/chorizo.jpg?w=460" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Minha pátria é o meu chorizo!</p></div>
<p>Os reality shows, ao contrario do que seu nome induz a pensar, são programas de televisão, e como tal estão sujeitos a cortes e edições vários. Nada mais distante do real, portanto, como já havia demonstrado <a href="http://www.focusfoto.com.br/fotografia.mensagem.htm" target="_blank">Barthes em relação a fotografia</a> em seu famoso livro <em>A Câmara Clara</em>. Na verdade, é a idéia de simulacro, ou melhor, sua promessa, que permeia todos estes programas, como bem mostrou o excelente <em>O Show de Truman</em>. Os programas do tipo <em>Madrileños por el Mundo</em> não cumprem seu suposto objetivo de mostrar o cotidiano real dos cidadãos expatriados, porque obviamente são produtos editoriais e não espelhos do real, mas são muito instrutivos na medida em que revelam a visão que a sociedade espanhola tem do estrangeiro, aquilo que considera ser culturalmente aceitável ou não, quais sociedades servem como modelos e quais devem ser repudiadas. Além disso, deixa claro uma coisa que eu intuía, mas não tinha como provar: a saudade, sentimento que em castelhano não tem nome, é algo literalmente visceral. Se duvida, pode procurar algum expatriado espanhol que não tenha pelo menos um pedaço de <em>chorizo</em> guardado como troféu em sua geladeira.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/152/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/152/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/152/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/152/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/152/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/152/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/152/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/152/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/152/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/152/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/152/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/152/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/152/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/152/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=152&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mundialização e Cultura</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 15:19:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao longo da historia ocorreram muitos contatos entre os diferentes grupos humanos. Poucos sao os casos de sociedades que conseguiram permanecer totalmente isoladas, se é que existe realmente algum. Nesses contatos, independente de seu caráter amistoso ou bélico, o intercambio cultural modificou os dois grupos. O contato entre A e B provoca o surgimento de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=145&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao longo da historia ocorreram muitos contatos entre os diferentes grupos humanos. Poucos sao os casos de sociedades que conseguiram permanecer totalmente isoladas, se é que existe realmente algum. Nesses contatos, independente de seu caráter amistoso ou bélico, o intercambio cultural modificou os dois grupos. O contato entre A e B provoca o surgimento de mudanças significativas, tanto nas sociedades invasoras quanto nas invadidas. As mudanças mais radicais obviamente ocorrem nas segundas, e é até desnecessário dizer que as sociedades indígenas do novo mundo tiveram toda sua organização transformada com a penetração do espanhol e do português, da religião católica e das praticas mercantilistas de produção. Mas também é impossível ignorar as transformações ocorridas na Europa como conseqüência da introdução pelos conquistadores ibéricos dos cultivos de batata, tomate e milho, só para ficar num exemplo do campo alimentar. Esse é o caso mais próximo de nós no tempo e no espaço, mas os exemplos ao longo da historia sao muitos, sendo o mais clássico o do império romano no seu processo de expansão. A globalização é um fenômeno que começou muito antes do que se imagina.</p>
<div id="attachment_147" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/asterix1.jpg"><img class="size-medium wp-image-147" title="asterix" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/asterix1.jpg?w=300&#038;h=227" alt="" width="300" height="227" /></a><p class="wp-caption-text">Os primeiros militantes anti globalizacao da historia</p></div>
<p>Em seu livro de 1996 Mundialização e Cultura, <a href="http://www.petpsi.ufc.br/Documentos/Uma%20conversa%20com%20Renato%20Ortiz.rtf" target="_blank">Renato Ortiz</a> faz uma longa reflexão sobre a globalização e suas conseqüências no plano da cultura. Por meio de uma analise histórica, o autor estabelece uma diferença entre dois fenômenos que segundo ele sao parecidos, mas não idênticos: a globalização e a mundialização, que seria uma etapa posterior e intensificada do primeiro processo. Esse período mundializado que vivemos agora é caracterizado não pelas invasões ou pelos contatos fortuitos e conseqüentes trocas entre culturas diferentes, mas pela presença de uma cultura supra nacional, que existe independente de qualquer ligação com um lugar especifico. Essa cultura, apesar de estar fortemente associada com os EUA e sua indústria cultural, na verdade tem suas raízes no iluminismo e no racionalismo que surgem na idade moderna. Ela é a expressão máxima da lógica capitalista, com sua tendência a organizar as sociedades em mercados homogêneos, de modo a poder distribuir melhor sua produção de bens de consumo. Sua consolidação se dá como resultado das transformações tecnológicas ocorridas durante o século XX.</p>
<p>A modernidade é o período histórico em que o estado nação se cristaliza como unidade politico-administrativa. O estado nação se constitui na Europa integrando populações distintas não apenas pela força das armas, mas pela imposição de valores comuns aos povos, como as moedas e as línguas. É assim por exemplo que surge o estado espanhol, formado por povos diferentes como vascos, catalães e galegos. No caso da Espanha os grandes artífices dessa integração foram os castelhanos, mas o estado que se formou nesse processo não era um estado castelhano, mas um país multi cultural, distinto de sua matriz original, ainda que claramente dominado pelos castelhanos. Nesse processo de centralização política estava presente já a lógica que conduziria o processo de mundialização. Como diria <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Jean-Fran%C3%A7ois_Lyotard" target="_blank">Lyotard</a>, “a modernidade estava grávida da pós modernidade”. É por isso que para Ortiz não faz muito sentido a oposição entre nacionalismo e globalização que se faz hoje. A atual União Européia começa a se constituir quando os feudos vão se agrupando em pequenas federações e essas evoluem até formar os reinos e posteriormente os estados nações. A mundialização é a continuação natural desse processo.</p>
<div id="attachment_148" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/embarazada1.jpg"><img class="size-medium wp-image-148" title="Embarazada1" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/embarazada1.jpg?w=300&#038;h=281" alt="" width="300" height="281" /></a><p class="wp-caption-text">mamae modernidade, grávida de pós</p></div>
<p>As instituições que se encarregam de manter a coesão social nos estados nações são as escolas, os meios de comunicação de massa e os exércitos nacionais. É por meio dessas instituições, que inculcam nos cidadãos os valores patrióticos (amor à bandeira e ao hino nacional), o conhecimento da historia, do idioma e da geografia nacional, que se constroem os paises como idéia. Sao instituições mediadoras entre as classes dominantes e o povo e por isso seu controle é de fundamental importância. Com o advento da mundialização essas instituições não deixaram de existir, mas com a exceção dos meios de comunicação de massa, perderam muito do protagonismo que tinham no passado. Agora, o grande agente mediador é “o mercado”. É essa instituição fantasma que controla a socialização das pessoas, e os valores difundidos por ela não sao o amor a hinos ou bandeiras, mas o gosto por determinada marca ou estilo de vida, símbolos que atualmente definem mais as pessoas do que o fato de haver nascido nesse ou naquele país. O controle do mercado é agora a chave do controle social.</p>
<p>Essa mudança institucional é fruto de outra transformação ocorrida no plano político. Os agentes políticos da mundialização já não são os estados nações, mas sim as grandes empresas trans nacionais. Renato Ortiz faz aqui uma outra importante distinção de ordem semântica, diferenciando os conceitos de multi nacional e trans nacional. Pare ele, as multi nacionais seriam empresas com filiais em vários países, mas que apesar dessa presença internacional ainda conservariam fortes vínculos com seu país sede. Já as trans nacionais são organizações verdadeiramente mundiais, que funcionariam elas próprias como os estados na modernidade. São essas corporações que formam o substrato político da mundialização. A cultura mundializada é a cultura forjada por estas corporações trans nacionais. Os espaços de difusão dessa cultura são os shopping centers, os grandes hipermercados, os aeroportos. Nesses “<a href="http://weblogs.javahispano.org/rugi/entry/el_no_lugar" target="_blank">não lugares</a>” qualquer pessoa que participe dessa cultura mundializada pode se sentir em casa, ainda que esteja a milhares de quilômetros de distancia de seu país ou mesmo de seu continente.</p>
<p>A cultura trans nacional funciona como uma espécie de esperanto no terreno das referencias: permite que pessoas de nacionalidades e línguas diferentes compartilhem uma memória coletiva. Essas referencias comuns sao essenciais para que se estabeleça uma comunicação efetiva entre as pessoas, já que é necessário um universo semântico compartilhado para dar sentido a comunicação, além é claro de um sistema de códigos acordados (uma língua). As principais fontes de referencias dessa cultura mundial estão no terreno da musica popular, da literatura de massa e do cinema. Ou seja, para participar da cultura mundializada é necessário além de dinheiro algum tempo ocioso para consumir estes produtos culturais. O grau de penetração da cultura mundializada está portanto vinculado muito mais a vitalidade econômica de uma sociedade do que a sua localização geográfica. Nos países do terceiro mundo isto fica mais claro. Nesses países, é nítida a diferença entre determinados extratos da população ainda ligados a uma cultura mais tradicional e local e as classes altas, que dominam plenamente os códigos da cultura trans nacional. Esse é para Renato Ortiz o principal problema da mundialização: a tensão gerada entre aqueles que vivem plenamente a modernidade e aqueles que ficaram a margem do processo, os chamados excluídos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/145/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/145/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/145/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=145&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil é careta? O caso Geisy repercute na gringa</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 12:20:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O caso Geisy extrapolou as fronteiras midiaticas brasileiras. Depois de causar comoção por todo o país, a historia da moça desinibida da periferia paulistana que foi moralmente massacrada pelos colegas de faculdade porque estava um pouco “ligeira de roupas” chegou nessa semana à Península Ibérica (e também a outros países europeus menos afeitos a temas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=139&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O caso Geisy <a href="http://www.administradores.com.br/noticias/veja_repercussao_do_caso_geisy_na_imprensa_internacional/27550/" target="_blank">extrapolou as fronteiras midiaticas brasileiras</a>. Depois de causar comoção por todo o país, a historia da moça desinibida da periferia paulistana que foi moralmente massacrada pelos colegas de faculdade porque estava um pouco “ligeira de roupas” chegou nessa semana à Península Ibérica (e também a outros países europeus menos afeitos a temas relativos a América Latina). A reação dos espanhóis ao fato foi a esperada por qualquer brasileiro que vive por estas bandas: ficaram todos estupefatos. Afinal, como é possível que o país das mulatas, das roupas “frescas” e do carnaval pode ser assim tão conservador a ponto de implicar com uma saia que nem estava tão acima do joelho? De repente no imaginário popular local o Brasil passou de sucursal de Sodoma e Gomorra a novo bastião do Taleban na América do Sul. Vários colegas no trabalho começaram a me perguntar coisas absurdas, como por exemplo se seria crime usar mini saia numa empresa brasileira. Respondi que certamente não, mas recomendei tomar cuidado com certas empolgações que uma viagem ao Brasil costuma despertar na libido dos ibéricos. E também aconselhei a jamais pensar em fazer uma pós graduação baratinha na Uniban.</p>
<div id="attachment_142" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-142" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/geisy2.jpg?w=460" alt=""   /><p class="wp-caption-text">Geisy exibindo o joelhinho que Deus lhe deu.</p></div>
<p>Entendo a aflição dos espanhóis. Algo definitivamente não se encaixa. A construção midiatica da imagem do país no exterior durante décadas vem propagando o mito do paraíso tropical libertino, cheio de frutas e mulheres (e mulheres frutas). É esse o trabalho que a Embratur faz junto às empresas de viagem no exterior, e é assim que a imprensa estrangeira mostra o Brasil para o mundo. Mas nós que somos tupis sabemos que na verdade o buraco é mais embaixo. O Brasil é um país conservador, pelo menos em um plano oficial. Muito mais conservador do que a média dos países europeus. Só para ficar numa diferença superficial, basta dizer que nas praias do mediterrâneo o <em>top less</em> é algo normal e corriqueiro, enquanto no Brasil do fio dental uma mulher de peito de fora ainda escandaliza as pessoas “de bem”. Enquanto por aqui se debate abertamente sobre liberação do uso de drogas, aborto e casamento gay, a simples menção de um desses temas ao sul do equador é capaz de acabar com a carreira política de qualquer um. Nem o Gabeira, apesar de toda a sua coleção de tangas de crochê, tem a coragem de insistir de verdade num desses temas. Essa é, parafraseando <em>Cae</em>, nossa verdade tropical, oculta por muitos e muitos anos dos turistas estrangeiros.</p>
<p>Temos então um país conservador no intimo, mas que, não sei se por ação ou omissão, vende uma imagem libertina calcada em uma festa popular. Foi assim durante décadas, contando através dos tempos com a ilustrativa ajuda de personagens como Carmen Miranda, Sonia Braga e Gisele Bundchen, as vedetes brasileiras <em>made for export</em>. Mas eis que surgem dois fatores capazes de modificar a imagem do Brasil no exterior: a imigração massiva e a rede mundial de computadores. Com a imigração, o brasileiro deixa de ser um personagem pitoresco, que vive num país ensolarado do outro lado do mundo, um cara cheio de suingue, que passa os dias e as noites jogando futebol, e se torna o vizinho, o namorado, o colega de trabalho do europeu médio. As mulheres já não são as passistas lascivas das escolas de samba nem as super modelos da Victoria Secrets. São as babas das donas de casa de classe média, as caixas do supermercado ou as putas da esquina. Gente de verdade, enfim, alguns mais ou menos libidinosos, mas não personagens de filmes de pornochanchada.  Essa proximidade física foi importante para começar a desconstruir os velhos clichês, mas seria insuficiente se não viesse acompanhada dessa pequena janela para o mundo que é a web.</p>
<p>A internet amplia o espaço informativo de uma maneira sem precedentes. Se pensamos que há vinte anos havia apenas dois canais de televisão num país como a Espanha, a sensação que se tem hoje em relação à ecologia das mídias é a mesma que um cidadão pobre deve ter em relação a sua própria economia no dia seguinte ao receber o premio da loteca.  Com essa fabulosa ampliação, existe uma forte demanda por conteúdo. As historias tem que chegar em grande quantidade, porque é necessário preencher os espaços quase infinitos do ciberespaço. E não importa de onde venham os fatos, contanto que sejam curiosos. Assim, todos os dias os europeus são informados sobre algo que aconteceu na China, na Guiné, na Colômbia ou no Brasil. Antes da rede, as únicas noticias que chegavam desses lugares eram sobre catástrofes naturais ou golpes de estado. Agora, qualquer coisa que possa ser interessante acaba ganhando algum espaço num portal de internet como o espanhol <a href="http://www.20minutos.es/" target="_blank">20 minutos</a>. Essas publicações digitais necessitam de várias historias por dia, não importando muito a procedência dos fatos ou historias.</p>
<p>Foi em meio a essa multiplicidade de relatos que a historia da suburbana Geisy chegou aos ouvidos dos meus colegas de trabalho aqui em Madri. A ampliação do espaço, porém, é só um dos aspectos da mudança midiatica representada pela internet. A possibilidade de que pessoas comuns, munidas apenas de um computador, uma câmera e uma ferramenta de publicação na internet, possam efetivamente fazer uma historia circular em escala global se torna cada dia mais real. Há sete ou oito anos, quando o blogger começou a se popularizar, essa era uma hipótese apenas teórica. Os blogs eram vistos fundamentalmente como paginas pessoais, “diários virtuais” escritos por adolescentes angustiados ou moderninhos descolados. Mas na verdade se tratava de uma nova forma de publicar na internet, como ficou demonstrado com a segunda onda, que chegou com uma quantidade enorme de pessoas, incluindo aí vários profissionais de comunicação, aderindo aos blogs. Mas, apesar do milagre da multiplicação dos blogs, ainda não havíamos visto uma noticia que começou em uma dessas páginas chegar a pautar um grande jornal ou o noticiário de uma cadeia de televisão. Foi isso que aparentemente conseguiu o blog <a href="http://www.botecosujo.com/" target="_blank">boteco sujo</a> com a historia de Geisy.</p>
<div id="attachment_141" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-141" title="burka" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/burka.jpg?w=460" alt="burka"   /><p class="wp-caption-text">Duas alunas da Uniban usando o novo uniforme proposto pela universidade</p></div>
<p>Pela primeira vez na historia das sociedades de massa, parece que o controle dos meios de comunicacao já nao pode mais ser exercido de forma absoluta. Não sejamos ingênuos a ponto de acreditar que a partir de agora serão os blogs que irão pautar a grande imprensa e que essa perderá sua força como grande mediadora no próximo semestre. O caso Geisy chegou ao público brasileiro e internacional porque a atitude machista dos estudantes da Uniban foi tão descabida que não havia nenhuma possibilidade de que não fosse condenada por qualquer pessoa razoável, independente de sua tendência política. Isso fica claro pela posição adotada por comentaristas tão distintos como Ronaldo Azevedo e Paulo Henrique Amorim. Em resumo, a historia da Uniban não cria conflitos políticos que possam prejudicar os donos do poder, os donos da mídia. Algum fato que fosse realmente contestador da ordem vigente certamente não ganharia tanta visibilidade midiatica. Mas, à medida que as pessoas vão se acostumando as novas ferramentas de comunicação, é possível começar a vislumbrar uma realidade (ainda distante) onde as mediações entre a “realidade” e as pessoas já não serão necessárias.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/139/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=139&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Santos X Fluminense 1995</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:36:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[Propp]]></category>

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		<description><![CDATA[Os clubes de futebol , assim como os estados-nações, podem ser entendidos como narrativas que se prolongam no tempo. Por trás dos onze jogadores que vemos em campo correndo atrás da bola não estão somente os empresários, as maria chuteiras e os contratos milionários de transferência para Europa. O que realmente confere significado ao futebol [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=133&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os clubes de futebol , assim como os estados-nações, podem ser entendidos como narrativas que se prolongam no tempo. Por trás dos onze jogadores que vemos em campo correndo atrás da bola não estão somente os empresários, as maria chuteiras e os contratos milionários de transferência para Europa. O que realmente confere significado ao futebol é a historia dos clubes, seus feitos e glórias perpetrados no passado pelos jogadores de gerações anteriores. Por meio dessas historias se forjam as identidade particulares dos times de futebol, atraindo aos torcedores que se identificam com essa historia, simbolizada pelas camisetas, escudos, hino, estádios e bandeiras destas equipes.</p>
<p>No contexto destas macro narrativas, algumas delas já centenárias, existem trechos que se destacam de forma especial. São os chamados capítulos gloriosos de um clube. As partidas históricas seguem sendo lembradas durante anos pelos torcedores que a presenciaram, chegando a atravessar gerações, antes por meio do relato oral e agora como relato escrito ou na forma de gravações de áudio ou vídeo. Todos os clubes do futebol mundial, sejam eles grandes, médios ou pequenos, tem algum grande feito em sua historia. Basta que exista um grupo de pessoas que recorde este feito mentalmente, ou seja, que o time tenha seguidores, uma torcida, para que a historia se eternize.</p>
<div id="attachment_135" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-135" title="1729302" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/1729302.jpg?w=460" alt="1729302"   /><p class="wp-caption-text">Torcida é como mãe, tudo igual, só muda de endereço.</p></div>
<p>A “narrativa em capítulos” que acompanho no futebol é a do Santos FC. Narrativa que, diga-se de passagem, é comparativamente uma das mais importantes do esporte bretão a nível mundial. A historia do Santos tem muitos capítulos gloriosos transgeneracionais, como a conquista do bi campeonato mundial interclubes e os inúmeros títulos conquistados nos anos 60 pelo mágico esquadrão de Dorval, Mengalvio, Coutinho Pelé e Pepe. Infelizmente, para as pessoas da minha idade não há muito que compartir em termos de memória de feitos futebolísticos recentes. Uma dessas poucas partidas históricas presenciadas por mim aconteceu há 14 anos, um confronto pela semi final do campeonato brasileiro de 1995 contra o Fluminense, então campeão carioca.</p>
<p>Na primeira partida da serie de 2 jogos que definiria um dos finalistas do campeonato, disputada no estádio do Maracanã, o Santos havia perdido por 4 X 1. Dono da melhor campanha na primeira fase, o Peixe jogava por 2 resultados iguais, ou seja, deveria vencer os cariocas por pelo menos 3 gols de diferença na partida de volta. O jogo seria disputado no Pacaembu, já que a Vila Belmiro não comportava o número mínimo de torcedores exigidos pelo regulamento do campeonato para a disputa de partidas semi finais. O Santos venceu por 5&#215;2, sem dúvida um placar memorável, principalmente se consideramos que se tratava de uma disputa eliminatória entre equipes de excelente desempenho naquele campeonato. Para que se tenha uma idéia do tamanho do feito, uma diferença como aquela, de 3 gols numa semi final de campeonato brasileiro, nunca mais foi revertida por nenhuma outra equipe.</p>
<p>Entretanto, creio que o resultado em si foi apenas um dos fatores que fez com que esse jogo marcasse tão fortemente a memória coletiva dos torcedores do Santos. O jogo foi rico naquilo que transforma narrativas normais em historias inesquecíveis: grandes personagens. Vladimir Propp identifica em seu <em>A Morfologia</em><em> dos Contos de Fadas</em>  sete classes de personagens ou agentes que poderiam ser encontrados em qualquer narrativa heróica. São eles o agressor, o doador, o auxiliar, o pai, o mandador, o herói e o falso herói. Nem sempre todas as narrativas possuem as classes de personagens propostas por Propp, mas naquela partida do Pacaembu os papeis estavam bem marcados, e o que seria normalmente um bonito jogo de futebol se transformou em um épico, graças a seus protagonistas.</p>
<p>O papel do <strong>Agressor</strong> foi de Renato Gaúcho. Craque em decadência, o falastrão Renato vinha de conquistar o campeonato carioca com o Fluminense, marcando na decisão contra o Flamengo um estranho gol de barriga. Passou a semana anterior ao jogo contando vantagem, mas seu desempenho na partida foi pífio. No final já não conseguia nem caminhar, fazendo jus a publicidade da churrascaria Porção que levava em uma faixa atada a sua cabeça. O <strong>falso herói</strong> foi Rogerinho. O bom atacante do tricolor se movimentou, buscou espaços e acabou sendo o único que se destacou dentro da mediocridade futebolística do Fluminense. Foi o autor dos dois gols da equipe das Laranjeiras, mas os tentos que podiam ter consagrado o jogador em um jogo normal foram anulados pelo desempenho magistral do camisa 10 do Peixe naquela partida, Giovanni.</p>
<p>Giovanni teve nesse dia a mais completa atuação de um jogador de futebol dentre aquelas que eu presenciei. Não por acaso, podemos atribuir a ele duas funções do esquema de Propp. O paraense exerceu dois papeis simultâneos, o de <strong>herói</strong> e o de <strong>doador. </strong>Dentro do campo foi o protagonista absoluto, o dono do jogo, como se diz no jargão futebolístico. Marcou dois gols, tirou bolas de dentro da área do Santos, segurou o jogo no ataque nos momentos de pressão do Fluminense e, além de tudo isso, deu os três passes para os outros gols marcados pelo time, o que o converteu também em <strong>doador</strong>.<strong> </strong>Uma exibição fantástica do <strong>herói</strong>, que teve como <strong>auxiliares</strong> o ponta Camanducaia, que sofreu o pênalti convertido por Giovanni e concluiu a jogada do quarto gol, Macedo, o rodado atacante que marcou o terceiro gol do peixe, e finalmente Marcelo Passos, que fechou o placar com um golaço, um chute colocado depois do genial passe de Giovanni.</p>
<div id="attachment_134" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-134" title="giggio1" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/11/giggio1.jpg?w=460" alt="giggio1"   /><p class="wp-caption-text">Nosso heroi Giovanni e sua fiel companheira, a bola.</p></div>
<p>Fora de campo, o time do Santos foi comandado por Cabralzinho, que fez o papel de <strong>mandador</strong> com competência, substituindo de forma correta. Sua principal contribuição, porém, foi deixar o time no gramado ao final do primeiro tempo, permitindo que a torcida exercesse seu papel de <strong>pai </strong>de uma maneira direta. A torcida abraçou o time naquela partida. Cantou 105 minutos, desde o principio até o apito final, passando pelos 15 minutos de descanso. Ainda que Galvão Bueno tentasse durante a transmissão equiparar o comportamento da torcida do Fluminense no jogo anterior com o dos torcedores peixeiros, a verdade é que nunca antes ou depois uma equipe permaneceu no gramado durante o intervalo, em um estado de comunhão total com seus fãs. Foi algo que extrapolou o profissionalismo que predomina no futebol moderno, uma demonstração de amor que nenhuma outra torcida conseguiu repetir até hoje, por mais fiel que se considere.</p>
<p>As partidas históricas de futebol, por seu caráter épico, são os equivalente modernos as epopéias clássicas da antiguidade. Os mitos e os heróis forjados nestes jogos atravessam gerações, e são lembrados pelos seguidores dos times muitos anos depois. Seu caráter de narrativa épica, que transcende o simples evento esportivo, fica evidente quando se analisa um desses jogos com os esquemas de analise morfológica de contos proposto pro Propp em seu livro <em>A Morfologia dos Contos de Fadas</em>. Por possuir esse caráter épico, a partida contra o Fluminense será sempre celebrada pelos torcedores santistas, ainda que posteriormente o time não tenha conseguido conquistar o campeonato brasileiro de 1995</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/133/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=133&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil segundo a imprensa espanhola</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 16:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[mídia]]></category>
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		<description><![CDATA[A imprensa escrita espanhola tem características que a diferenciam bastante da imprensa brasileiros. Enquanto no Brasil podemos dizer que existe um partido da imprensa (ou PIG, como diz o Paulo Henrique Amorim), conservador até a medula, os jornais espanhóis apresentam uma diversidade ideológica muito maior. Publicações como Público ou mesmo El Pais às vezes parecem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=129&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A imprensa escrita espanhola tem características que a diferenciam bastante da imprensa brasileiros. Enquanto no Brasil podemos dizer que existe um partido da imprensa (ou PIG, como diz o <a href="http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=20864" target="_blank">Paulo Henrique Amorim</a>), conservador até a medula, os jornais espanhóis apresentam uma diversidade ideológica muito maior. Publicações como <em>Público</em> ou mesmo <em>El Pais</em> às vezes parecem falar de um país totalmente diferente daquele que é retratado por <em>ABC</em> ou <em>El Mundo</em>, por exemplo. Outra diferença importante em relação ao Brasil é a quantidade de jornais de circulação nacional que existem aqui na Espanha. Enquanto num país de dimensões continentais e população de quase 200 milhões de habitantes, como é o caso da nossa querida terra de Vera Cruz, temos apenas 4 jornais realmente grandes, a Espanha, muito menor em termos de tamanho e população, possui pelo menos 7 jornais com repercussão nacional, sendo dois deles (<em>El Pais</em> e <em>El Mundo</em>) jornais que atravessam as fronteiras do país e chegam também a populações de língua espanhola em vários cantos do mundo.</p>
<p>Tendo em conta essa diversidade ideológica, que obviamente se reflete na escolha das noticias e principalmente no enfoque dado a elas, e também considerando o tamanho e peso global do jornalismo espanhol, me parece um exercício interessante observar nos jornais espanhóis o tratamento que se dá as noticias sobre a América Latina e em especial sobre o Brasil. A Espanha, por motivos históricos e culturais, tem um interesse especial na América Latina. O país funciona como porta de acesso dos interesses latino americanos na Europa, e na direção contraria atua como mediador político e cultural entre europeus e latino americanos. Por isso, é muito mais comum encontrar noticias sobre América Latina na imprensa espanhola do que nos jornais norte americanos ou ingleses, por exemplo. Alguns jornais como <em>Público</em> ou <em>El Mundo</em> tem em sua edição eletrônica blogs e colunistas dedicados a falar da América Latina, em especial dos países de língua espanhola. O Brasil, dentro do quadro latino americano, sempre foi a exceção, com pouca ou nenhuma cobertura da imprensa espanhola. Mas isso vem mudando pouco a pouco.</p>
<div id="attachment_130" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-130" title="Belchior" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/10/belchior.jpg?w=460" alt="Belchior"   /><p class="wp-caption-text">O Brasil é o Belchior da imprensa espanhola. Todo mundo sabe que ele é um rapaz latino americano, mas ninguém sabe bem onde ele está</p></div>
<p>O espaço dedicado ao Brasil na imprensa espanhola parece estar crescendo ano a ano. Digo isso baseado em uma observação livre, já que não tenho nenhum dado empírico relativo ao assunto. Mas basta acompanhar os portais dos grandes jornais para perceber que o Brasil é assunto quase toda semana na mídia espanhola. Seja pelo protagonismo que o pais assumiu na América Latina nos últimos anos ou ainda por algum tema pontual, como a escolha do Rio de Janeiro como cidade sede das olimpíadas de 2016, derrotando a candidatura de Madri, o país dos cariocas (adjetivo pátrio usado aqui como sinônimo de brasileiro) finalmente parece ganhar uma atenção proporcional ao seu tamanho físico e populacional. Mas, como seria de esperar em um país como uma imprensa tão polarizada, a quantidade de vezes em que aparecem noticias sobre o Brasil e o enfoque dado a essas noticias muda muito de um jornal para o outro. Dois casos interessantes apareceram nas últimas semanas e a verdade é que apesar de ambas terem saído em jornais considerados de esquerda, as noticias tinham um enfoque bastante diferentes.</p>
<p>O primeiro caso é uma pequena matéria na edição eletrônica do diário <em>Público</em>. A reportagem falava sobre o primeiro transexual brasileiro que exercia um cargo político, um vereador numa pequena cidade do interior paulista. Segundo o jornal, uma das medidas propostas pelo vereador(a) havia sido separar a população carcerária homossexual dos seus colegas heterossexuais, com o objetivo de impedir os constantes estupros e humilhações a que estes estão submetidos nas penitenciarias. O tom da matéria era bastante positivo, dando a entender que o país, apesar de ser ainda bastante machista “como todos os países latino americanos”, parecia estar avançando na questão da igualdade, a ponto de eleger uma representante homossexual e que lutava pelos interesses das pessoas com orientação sexual diversa. Entretanto, ainda que mostrando algo positivo, o pano de fundo seguia sendo as desgraças sociais de um país subdesenvolvido, o que permitiu inclusive algumas interpretações errôneas da noticia por parte dos leitores, fato que ficou evidente pela leitura dos comentários que esses fizeram na caixa de comentários.</p>
<p>A segunda noticia sobre o Brasil é uma <a href="http://www.elpais.com/articulo/portada/Rio/Janeiro/Ciudad/Dios/diablo/elpepusoceps/20091025elpepspor_7/Tes" target="_blank">extensa matéria </a>publicada na revista dominical do jornal <em>El País</em>. A reportagem, ricamente produzida e ilustrada, contava o drama das favelas do Rio de Janeiro, a guerra civil que segundo o jornal se vive nos morros e a situação ainda pior da periferia ou “rio norte”, maneira como o jornalista denomina a zona norte da cidade. Pelas fotos em preto e branco se podia sentir perfeitamente a influencia estética dos “filmes de favela” na produção artística da matéria. Menores traficantes fazendo pose com rifles AK 47, ruas de terra batida, casebres com fios elétricos saindo por todos os lados. O tom da reportagem ficava em um meio termo entre o cinema verdade e o jornalismo mentira, e parece feito sob medida para reforçar estereótipos que por si só já estão bastante arraigados na mentalidade de cidadão europeu médio. Não se discute a realidade violenta da cidade maravilhosa hoje, mas resulta curioso constatar que a reportagem foi publicada menos de um mês depois do anuncio do Rio como cidade olímpica, fato que de certa maneira revoltou os espanhóis, que consideravam sua cidade muito melhor preparada para receber um evento do porte de uma olimpíada do que uma cidade do “terceiro mundo”. Definitivamente não parecia o mesmo país retratado por <em>Público</em>, um país com dificuldades, mas que pouco a pouco avança.</p>
<div id="attachment_131" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><img class="size-full wp-image-131" title="dadinho" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/10/dadinho.jpg?w=460&#038;h=242" alt="dadinho" width="460" height="242" /><p class="wp-caption-text">&quot;violencia endemica?! Ah, perdeu prayboy, perdeu!&quot;</p></div>
<p>A atual etapa de globalização aproxima os países de uma maneira inédita. Primeiro fisicamente, já que o fluxo de pessoas cresceu de uma maneira muito graças aos modernos meios de transporte, incrementado o intercambio entre culturas distantes. Mas ainda mais importante que essa aproximação física entre membros de culturas diferentes é o surgimento de uma cultura mundo, uma cultura que permeia todas as nações modernas. Segundo Renato Ortiz, essa cultura não tem um centro irradiador, e se reproduz em diferentes partes do mundo, graças aos meios de comunicação modernos. Ë evidente, porém, que essa cultura mundo não alcança de maneira uniforme toda a população mundial. Há maior parte da população não domina os códigos dessa cultura, especialmente nos países do chamado terceiro mundo, muitas vezes por motivos econômicos. Essas pessoas são os novos bárbaros, “os outros” da modernidade globalizada. Sua diferença reforça a unidade daqueles que estão dentro do sistema, e por isso é importante ressaltar seus modos de vida e costumes “estranhos”. A imprensa dos países desenvolvidos parece cumprir muito bem esse papel, destacando sempre a tragédia, a guerra civil ou qualquer outra catástrofe ocorrida na periferia do sistema. Isso é mais nítido ainda nos veículos de comunicação posicionados mais a direita do espectro ideológico. Em um momento em que as populações pobres migram em massa para o mundo desenvolvido, esse tipo de enfoque reforça o sentimento de superioridade que os habitantes dos países ricos nutrem em relação aos pobres do terceiro mundo, e como conseqüência disso pode haver um recrudescimento dos movimentos racistas e xenófobos nesses países.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/129/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=129&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A cultura do file sharing</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 10:16:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>brunorosinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era o final dos anos 90. O formato Compact Disc (CD) havia se consolidado como substituto do vinil desde a metade da década, e todos pareciam felizes com a troca. As “bolachinhas” eram vendidas em lojas de departamentos, supermercados, sebos e lojas especializadas. Saiam como pão quente, aos milhares. Mais portátil que o vinil e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=125&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era o final dos anos 90. O formato <em>Compact Disc</em> (CD) havia se consolidado como substituto do vinil desde a metade da década, e todos pareciam felizes com a troca. As “bolachinhas” eram vendidas em lojas de departamentos, supermercados, sebos e lojas especializadas. Saiam como pão quente, aos milhares. Mais portátil que o vinil e com uma qualidade de som melhor, o CD era um sucesso mundial. Eu, apesar dos parcos rendimentos obtidos então como estudante, comprava pelo menos dois por mês, a vinte reais cada um. Era um vicio. Parecia que o formato seria eterno, tamanha sua onipresença. Um dia, conversando com um amigo que trabalhava numa empresa de informática, ouvi pela primeira vez falar em música digital. Meu amigo me disse então que dentro de poucos anos já não compraríamos CDs, que o suporte musical passaria por uma mudança ainda mais radical do que a passagem do vinil para o <em>Compact Disc</em>. Chamei o cara de louco, claro. Hoje, passados dez anos daquela conversa, posso dizer com convicção que a linha que separa o louco do visionário é mesmo muito tênue.</p>
<p><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Napster" target="_blank">O Napster</a> surgiu no ano 2000. Fiquei sabendo da novidade pelo jornal. É difícil acreditar hoje, mas na época, o que acontecia no mundo digital ainda chegava aos nossos ouvidos primeiro pela mídia tradicional. O Napster era um programa que facilitava a troca de arquivos MP3 armazenados nos computadores de seus usuários. Em poucos meses, o número de pessoas conectadas cresceu de forma inacreditável. Essas pessoas tinham a sua disposição um acervo praticamente ilimitado, muito maior do que aquele que podiam encontrar em qualquer loja de disco, mesmo que fossem lojas especializadas. Era o paraíso na Terra. Eu, que havia dito ao meu amigo que nunca trocaria o CD pelo formato digital, porque sentiria falta do encarte e das letras, entrei de cabeça na onda do <em>file sharing</em>. O pioneiro Napster foi fechado no ano seguinte, graças a pressão da indústria fonográfica, mas a ação foi em vão. Vários outros programas de compartilhamento de arquivos (chamados P2P) ocuparam rapidamente seu lugar. Estávamos ainda no começo da década, em 2002, mas já estava mais do que claro que o formato CD estava fadado a desaparecer.</p>
<div id="attachment_126" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-126" title="napster-logo-web" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/10/napster-logo-web.jpg?w=460" alt="Eu acho que eu vi um gatinho..."   /><p class="wp-caption-text">Eu acho que eu vi um gatinho...</p></div>
<p>Na metade da década havia já programas de compartilhamento de arquivos para todos os gostos. O formato torrent, que possibilitava fazer <em>download</em> de um mesmo arquivo através de diferentes usuários, facilitou ainda mais a distribuição de conteúdo digital pela rede. Programas clientes de torrent, como o emule, passaram a ser usados por pessoas dos mais distintos perfis, de donas de casa a estudantes universitários. Para piorar um pouco o cenário para as indústrias de conteúdo (discograficas, cinematográficas, editoras), o aumento da capacidade de banda nas conexões a internet deu as pessoas a capacidade de descarregar arquivos de mais de 1 GB em menos de uma hora, fato absolutamente inconcebível quando surgiu o Napster. A troca de arquivos agora não mais se limitava a algumas canções, como se fazia no ano 2000. Discografias inteiras, filmes e series de TV eram facilmente baixados por qualquer pessoa que tivesse uma conexão banda larga. O monopólio da distribuição de conteúdo cultural havia saído do controle das grande multi nacionais do setor do entretenimento pela primeira vez na história.</p>
<p>Como se pode notar por esse breve <em>flashback</em>, não havia passado nem sequer 10 anos entre o surgimento das primeiras conversas sobre o “fim do CD” e a popularização dos arquivos torrent. E o que parecia completamente fora de propósito em 1998 agora era pouco, quase nada perto das mudanças que efetivamente haviam ocorrido. Nesse período, muita gente (entre as quais me incluo) havia deixado de comprar CDs e alugar filmes, mas a mudança não ficava só nisso. Não se tratava de um mero cambio de formato, como aquele que havíamos vivido antes, do CD para o vinil e depois do VHS para o DVD. O que acontece hoje é uma ruptura com um modelo criado no começo do século XX, o modelo da venda de produtos culturais. Esse modelo de negócios surge como conseqüência de duas mudanças: uma mudança cultural, com a ascensão do consumismo e do individualismo, e uma mudança tecnológica, com a invenção dos suportes materiais que permitiam gravar musica em formatos portáteis, para posterior reprodução caseira. Essas mudanças geraram o mercado de bens culturais e suas milionárias super estrelas, que atravessou solidamente o século XX até cair agora, vitima de novas transformações que são também ao mesmo tempo culturais e tecnológicas.</p>
<p>No entanto, quando se fala da crise na indústria cultural, o único assunto que se costuma debater são as mudanças tecnológicas, como se a tecnologia por si só pudesse ser responsável por toda a transformação ocorrida. Não podemos esquecer que antes da tecnologia digital as pessoas já compartilhavam música, como provam as <em>mix tapes</em> dos anos 80, que só não tiveram o mesmo efeito que hoje tem o MP3 porque ainda eram tecnologicamente muito toscas para desafiar a hegemonia dos produtos fabricados então pela indústria. A dimensão social do fenômeno do compartilhamento de arquivos é rotineiramente ignorada. Uma correta interpretação do conceito de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cibercultura" target="_blank">cibercultura</a>, lançado pelo filosofo francês Pierre Levy, permite entender que na verdade o que há na era da cibercultura é o estabelecimento de uma relação íntima entre as novas formas sociais surgidas na década de 60 (a sociedade pós-moderna) e as novas tecnologias digitais. Isso se traduz não só no compartilhamento de arquivos, mas também na construção de obras coletivas e cooperativas. Um dos melhores exemplos disso é a wikipedia, a enciclopedia virtual colaborativa, da qual retirei um trecho inteiro da sentença anterior. É esse espírito (quase hippie), que valoriza a troca, o intercambio e a colaboração, que impulsiona a criação e proliferação dos diversos programas P2P.</p>
<div id="attachment_127" class="wp-caption aligncenter" style="width: 463px"><img class="size-full wp-image-127" title="hippie" src="http://perrocallejero.files.wordpress.com/2009/10/hippie.jpg?w=460" alt="&quot;eu vou baixar o que eu quiser malandro!&quot;"   /><p class="wp-caption-text">&quot;eu vou baixar o que eu quiser malandro!&quot;</p></div>
<p>Os <em>downloads</em> são o grande vilão da indústria cultural desde o começo da década. No período que vai do ano 2001 até o presente as vendas do setor vem caindo progressivamente, como comprovam os números de várias pesquisas realizadas. A culpa, segundo os empresários, é do <em>file sharing</em>. A reação da indústria a perda de seu modelo de negocio variou ao longo dos anos. Primeiro se tentou combater os programas P2P, fechando sites como Napster e processando seus donos. A tentativa se mostrou ineficaz, já que diversos outros programas surgiram para substituir o Napster. A indústria então passou a atacar seu próprio público, processando individualmente as pessoas que compartilhavam arquivos, alegando que tal pratica era pirataria. Até o momento, os resultados tem sido insuficientes, e as vendas continuam baixando. Muitos analistas crêem que a reação da industria ao compartilhamento de arquivos é quase ludista, e que não tem sentido lutar contra  o avanço tecnológico. Isso não deixa de ser verdade, mas não é toda a verdade. O problema do modelo de negócios da indústria de conteúdos não é só a mudança tecnológica. A emergência de uma nova forma cultural, chamada por alguns de cibercultura, é a verdadeira responsável pelo fim do modelo de negócios sustentado pela indústria cultural desde o século passado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/perrocallejero.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/perrocallejero.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/perrocallejero.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/perrocallejero.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/perrocallejero.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/perrocallejero.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/perrocallejero.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/perrocallejero.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/perrocallejero.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/perrocallejero.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/perrocallejero.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/perrocallejero.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/perrocallejero.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/perrocallejero.wordpress.com/125/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perrocallejero.wordpress.com&amp;blog=8319623&amp;post=125&amp;subd=perrocallejero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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